segunda-feira, 4 de maio de 2009

Joaquim Mestre

Nunca tive a honra de conhecer o bibliotecário de Beja, famoso no nosso pequeno meio por ter feito daquela biblioteca municipal alentejana, um espaço de convívio e uma referência no modelo de BM, quando ainda não era comum as bibliotecas serem espaços abertos, com bares e actividades sociais. Mas li, por acaso, um dos seus romances. Cruzei-me com "O Perfumista" e dele guardei uma memória de um espaço-tempo junto ao Guadiana, entre o Baixo Alentejo e uma Serra Algarvia, imaginado ao estilo de Gabriel Garcia Marques, mágico e rude, com personagens que crescem e se misturam, numa história de amores e pessoas. Gostei muito e fiquei a pensar que havia de lho dizer. Sim, não é sempre (quase nunca) que os autores também são nossos colegas. Sabia, por outros, que vivia num monte com uma vinha e sonhava um dia fazer um grande vinho. Hoje veio a notícia da sua morte. Fica a vontade de ler os seus outros livros.
"A morte tem que estar tapada, pois só assim a podemos olhar, tapada com muita terra para a esquecermos e voltarmos a acreditar que ela não existe. É preciso esquecê-la, tapá-la com terra, pazadas de terra, ou então com a vida. Sim, a vida. A vida é que nos faz esquecer a morte."
— Joaquim Mestre (O Perfumista)

1 comentário:

Rosmarino, tempero e destemperos disse...

Olá, lindo post em homenagem a este sensível escritor.
Trouxe este livro na minha bagagem em 2007, quando estive em Portugal e quando comecei a ler este ano, soube de sua morte. Fiquei triste, mas agora Joaquim Mestre vive em mim. Estou encantada pela sua escrita. Não conheço nenhuma outra obra dele. Ficarei grata se puderes me indicar.
abraço